Maróczy (2)

 

 

O gênio húngaro

No quadro anterior (mestre02), começamos a conhecer a vida e a obra do GM Geza Maroczy, que para muitos analistas foi o maior jogador húngaro de todos os tempos. Com certeza, entre 1898 e 1908, Maroczy estava entre os quatro ou cinco que podiam ser considerados desafiantes do campeão do mundo, o alemão Emanuel Lasker. (Os outros mestres com resultados e nível suficiente para desafiar Lasker na época seriam Tarrasch, Pillsbury, Schlechter, Janowsky e Marshall).

Várias personalidades do xadrez exaltaram as qualidades de Maroczy. Capablanca e Euwe admiravam seu jogo posicional, Fine lembrou que ele também podia ser um grande jogador de ataque, Alekhine e Shereshevsky elogiaram sua habilidade de finalista, Réti exaltou a longa carreira vitoriosa.

Maroczy venceu uma quantidade impressionante de supertorneios, e colocou-se várias vezes à frente ou ao lado de gigantes como Alekhine, Tarrasch, Nimzowitsch, Rubinstein, Schlechter, Tchigorin e Pillsbury. O extraordinário Capablanca só conseguiu vencer Maróczy quando o grande mestre húngaro já contava quase 60 anos de idade!

 

Pequena biografia

Geza Maróczy nasceu em 3 de março de 1870 em Zeged, que era a segunda maior cidade da Hungria depois de Budapeste. Naquela época, Hungria ainda não formava um país independente. Fazia parte do Império Austro-húngaro, cujo poder estava nos austríacos de origem alemã, centralizados na capital Viena e obedientes ao Kaiser (imperador). O povo húngaro só conquistaria sua libertação em 1918, quando terminou a Primeira Guerra Mundial.

Maroczy formou-se em engenharia e em matemática. Exerceu a profissão de engenheiro civil na construção das redes de água e de esgoto de Budapeste. Também trabalhou alguns anos como professor de matemática, particularmente de geometria descritiva.

Aprendeu a jogar xadrez com 15 anos, uma idade muito tardia pelos padrões atuais. Mas seus progressos foram relativamente rápidos. Dez anos depois, ele obteve o primeiro prêmio no torneio B de Hastings e passou a ser internacionalmente reconhecido como mestre.

Entre 1896 e 1908 ganhou quase todos os supertorneios de que participou. Em várias ocasiões ficou à frente de Rubinstein, Tarrasch, Pillsbury, Tchigorin, Schlechter e Janowsky, considerados os melhores da época.

Por causa dessas performances, em 1906, Emanuel Lasker aceitou o desafio para a disputa do título mundial. Porém Maroczy teve dificuldade de conseguir patrocinador e acabou cedendo a vez para S. Tarrasch, que acabaria derrotado por Lasker em 1908.

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) interrompeu a carreira de Maroczy.

Em novembro de 1917 eclodiu a revolução socialista na Rússia. Dirigidos pelos comunistas bolcheviques, operários, camponeses, soldados e marinheiros russos ousaram assaltar o céu. A revolução russa imediatamente despertou uma onda de simpatia e estimulou rebeliões de trabalhadores em vários países da Europa, particularmente na Alemanha e na Itália. Em 1919, a revolução socialista chegou à Hungria. A tomada do poder pelos comunistas húngaros liderados por Bella Kun foi pacífica, mas meses depois o governo "soviético" húngaro seria derrubado por um violentíssimo golpe de Estado apoiado por militares, empresários e latifundiários. Acusado de envolvimento com os comunistas, Maróczy teve fugir para escapar do fuzilamento. Exilou-se durante alguns anos em Londres.

Nos anos 1920s, Maroczy já vivia sua sexta década de vida. Não podia ostentar a forma da passado, embora ainda fosse capaz de colher surpreendentes triunfos, como o primeiro lugar compartilhado com Alekhine em Viena 1922, e de novo o primeiro lugar com Alekhine em Karlsbad 1923, ocasiões em que foram superados os mais fortes GMs da nova geração (Nimzowitsch, Réti, Tartakower, Grünfeld) e também da antiga (Rubinstein, Spielmann e Tarrasch).

Capablanca contou que lá por volta de 1929, os jovens mestres húngaros começaram a duvidar das qualidades do grande veterano. Comentavam algo como "no fundo, ele não jogava tanto assim". Pois então Maroczy resolveu enfrentar o melhor deles num match. Deixemos para o próprio Capablanca nos contar:

  • "Maroczy andava pela casa dos 60 anos e havia bastante tempo que não participava de torneios. Os jovens húngaros começaram a dizer que Maróczy estava ultrapassado e que os jovens húngaros eram superiores aos jogadores de sua época. (...) Organizou-se então um match entre um dos jovens que tinha acabado de ganhar o campeonato de Hungria e o velho grande mestre. O resultado do match foi um êxito completo para Maroczy, pois seu adversário perdeu cinco partidas e não pôde anotar um único ponto a seu favor."
  • Professor de matemática, Maroczy também foi ótimo treinador de xadrez. Dois de seus pupilos se destacaram: Vera Menchik, a primeira mulher na história a alcançar nível de GM, e Max Euwe, campeão mundial de 1935 a 1937.

    Todos que conheceram o mestre húngaro afirmaram que ele era um cavalheiro. Homem muito gentil e calmo, sempre solícito, não portava a vaidade que tantos mestres menores do que ele ostentaram.

    Durante a segunda guerra mundial (1939-45) viveu grandes dificuldades, inclusive a fome crônica. Mas conseguiu sobreviver e faleceu na terra natal em 29 de maio de 1951.

     

    PARTIDAS DE MARÓCZY (2)

     

    Schallopp,E - Maroczy

    Nuremberg 1896

    1.e4 e6 2.d4 d5 3.Cc3 Cf6 4.e5 Cfd7 5.f4 c5 6.dxc5 Cc6 7.a3 Bxc5 8.Dg4 0–0 9.Bd3 f5 10.Dh3 h6 11.g4 Cd4 12.Cge2? [12.gxf5 Cxf5 (12...exf5 13.b4 Bb6 14.Dg2±) 13.Cf3=; 12.Be3 Db6 (12...Dc7 13.Bxd4 Bxd4 14.Cge2 Bxc3+ 15.Cxc3 Cc5 ligeira vantagem branca) 13.Ca4 Da5+ 14.Cc3=] 12...Dh4+! 13.Dxh4 [13.Dg3 Cf3+ 14.Rd1 (14.Rf1 Dxg3 15.hxg3 fxg4 vantagem preta) 14...fxg4 15.Dxh4 Cxh4 e as pretas estão muito bem.] 13...Cf3+ 14.Rf1 Cxh4 15.gxf5 Cxf5 16.Bxf5 [16.Bd2 com vantagem preta] 16...Txf5 17.Ca4 Be7 18.Cd4 Tf7 19.Re2 [19.Cxe6 Cxe5 20.Cac5 (20.Cd4 Cg6 21.Ce2 Bf5 e as pretas estão bem melhor do que as brancas) 20...b6 21.Cc7 Bh3+ 22.Re2 Bg4+ 23.Rf1 Tc8 24.C5a6 Bg5–+] 19...Cf8 20.Tg1 b6 21.b4 Bd7 22.Cc3? [Teria sido melhor 22.Cb2 Tc8 23.Bd2 e as brancas ainda podem lutar.] 22...Tc8 23.Rd3 Rh7 24.Bd2 Cg6 25.Txg6? [Leva a derrota. As brancas tinham que se conformar com a inferioridade depois de 25.Cxd5 exd5 26.e6 Bxe6 27.Cxe6 Bd6 28.Taf1 Tc4; Ou então 25.Taf1 A) 25...Tc4 26.Ccb5 (26.Cd1 Tf8 27.Cb2 Tc7) 26...Bxb5 27.Cxb5 Cxf4+ 28.Bxf4 Tfxf4 29.Txf4 Txf4 30.Cd4 (30.Cxa7 Tf3+ 31.Re2 Tc3 vantagem preta) 30...Te4 31.Cxe6 g5 32.Tf1 Rg6 pretas superiores; B) 25...a5 26.Cxd5 exd5 27.e6 Bxe6 28.Cxe6 axb4 29.axb4 pretas um pouco melhor do que as brancas.] 25...Rxg6 26.f5+ [26.Tg1+ Rh7 27.f5 Txf5!] 26...Txf5! 27.Cxf5 Rxf5 28.Tf1+ Rg6 [28...Rxe5 29.Bf4+ Rf6 30.Bd6+ Rg6 31.Bxe7+-] 29.Be3 Tf8 30.Tg1+ Rh7 31.Rd4 Tc8 32.Rd3 Be8 33.Rd2 Bg6 34.Tc1 d4! e as brancas abandonam porque se 35.Bxd4 Bg5+ 36.Be3 Td8+ 37.Re2 Bh5+ 38.Rf2 Tf8+ 39.Rg2 Bxe3 etc. 0–1

     

    Maroczy - Charousek,R

    Budapeste 1895

    1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 g6 4.c3 d6 [4...Cge7 5.d4 exd4 6.cxd4 d5 7.exd5 Cxd5 8.0–0 Bg7 9.Te1+ Be6 10.Bg5 Dd6 11.Cbd2 0–0 Timman,J-Shchekachev,A/Lost Boys Open, Amsterdam NED 2001] 5.d3 [5.d4 Bd7 6.Bg5 (6.0–0 Bg7 7.dxe5 Cxe5 8.Cxe5 Bxe5 9.Db3 Bc6 10.Bxc6+ bxc6 11.Ca3 Bg7 12.Te1 Ce7 13.Cc4 0–0 Gofshtein,L-Pancras,P/AKN Open, Haarlem NED 2000) 6...Be7 7.Be3 Cf6 8.Bd3 Varitski,I-Dzubasz,T/Telecom Open, Pardubice CZE 2001] 5...Bg7 6.Cbd2 Cge7 7.Cf1 d5 8.De2 dxe4 9.dxe4 h6 10.Be3 Be6 11.Bc5! a6 12.Ba4 b5 13.Bb3 Dc8 [13...Bxb3 14.axb3 0–0 15.b4±] 14.C3d2 Ca5 15.Ce3 c6 16.0–0 Cb7 17.Bxe7 Rxe7 18.f4 exf4 [18...Cc5 19.f5 Bxb3 20.Cxb3 Cxb3 (20...Cxe4 21.fxg6 fxg6 22.Dd3 Cf6 23.Dxg6+-) 21.axb3±] 19.Txf4 Te8 20.Taf1 Cd8 21.Cd5+! Bxd5 [21...cxd5 22.exd5 f5 23.dxe6 Cxe6 24.Te1 Rd6 (24...Rf6 25.De5+ Rf7 26.Txf5+! gxf5 27.Dxf5+ Bf6 28.Tf1 Rg8 29.Dxf6+-) 25.Tff1 (Também ganha 25.Cc4+ Rc7 26.Df2 Db8 27.Ca5 Db6 28.Bxe6 Tad8 29.Rf1 Td6 30.Bxf5 Txe1+ 31.Dxe1 gxf5 32.Txf5 Td7 33.Cb3+-) 25...Cg5 (25...Dc5+ 26.Rh1 Cc7 27.Dd3+ Rc6 28.Bf7 Ted8 29.Df3+ Rb6 30.Cb3 Dd6 31.Df2+ Rb7 32.Ca5+ Rc8 33.Df3 Tb8 34.Cc6 Tb6 35.Cxd8 Dxd8 36.Bxg6+-) 26.Dd3+ Rc7 27.h4+-] 22.exd5+ Rf8 23.Df2 f5 24.Dg3! [Não teme a cravada.] 24...Be5 25.Dxg6 Bxf4 [25...Re7 26.Txf5 Rd7 27.dxc6+ Rc7 28.Dxe8] 26.Txf4 Ta7 [26...Re7 27.d6+ Rd7 (27...Rf8 28.Dxh6#) 28.Dxf5+ Rxd6 (28...Ce6 29.Dh7+ Rd8 30.Bxe6) 29.Dg6+ Ce6 (29...Te6 30.Bxe6 Cxe6 31.Ce4+ Rc7 32.Tf7+ Rb6 33.Cd6 Dg8 34.Tb7+ Rc5 35.Ce4+ Rc4 36.Cd2+ Rd5 37.Df5+ Rd6 38.Ce4#) 30.Ce4+ Rc7 (30...Rd7 31.Tf7+ Te7 32.Dxe6+ Rc7 33.Dxe7+) 31.Tf7+ Rb6 (31...Rb8 32.Cd6) 32.Cd6 Db8 33.Cxe8 Dxe8 34.Dxe6+-] 27.d6 [27.d6 Cf7 (27...Tf7 28.Dxh6+ Rg8 29.Th4 e o mate é inevitável) 28.Txf5 Td7 (28...Dxf5 29.Dxf5 Td8 30.Ce4 c5 31.Be6 Rg7 32.Df6+ Rh7 33.Bxf7) 29.Txf7+ Txf7 30.Dxf7#] 1–0

     

    Maroczy - Chigorin,M

    (Vienna Gambit 1903)

    Comentários baseados em análises de E. Schiller.

    1.e4 e5 2.f4 [Maroczy era um jogador posicional que amava as partidas cerradas ou semi-abertas. Mas esse foi um torneio temático em que os participantes eram obrigados a jogar um determinado gambito. Daí sua opção atípica pelo gambito de rei. No entanto, conduziu a partida como se na vida inteira tivesse sido um agressivo jogador tático ao estilo de Marshall ou Janowsky! Somente um GM de grande classe poderia apresentar tamanha versatilidade. Detalhe importante: Chigorin era um especialista em gambitos, amante do jogo aberto e complicado.] 2...exf4 3.Cf3 g5 4.Bc4 g4 5.Cc3 gxf3 6.Dxf3 d6 7.d4 Be6 [Agora Maroczy revela um novo plano, que leva a uma posição muito complicada. (E. Schiller)] 8.Cd5 c6 9.0–0! cxd5 10.exd5 [As brancas sacrificaram duas peças mas têm bastante compensação. A coluna 'e' está aberta, embora as pretas consigam defender o ponto e7. Não existe nenhuma linha de ganho clara, o que dá mais valor ainda à criação de Maroczy. (E. Schiller)] 10...Bf5 11.Bxf4 Bg6 [É incrível, mas o tranqüilo e posicional Maroczy já sacrificou duas peças diante do selvagem Chigorin.] 12.Bb5+ Cd7 13.Tae1+ Be7 14.Bxd6 Rf8? [Naturalmente, a posição é complexa e dificulta encontrar o lance justo. Naturalmente, em 1903 não havia computadores para ajudar na preparação. Esse lance parece natural porque acaba com duas cravadas e ainda ameaça tomar em d6. Parece que Maroczy contava com esse lance. (E. Schiller) Repare que teria sido fraco 14...a6? 15.Bxe7 Cxe7 (15...Db6? 16.Bc5+ ganha a dama) 16.d6 (16.Df6 0–0 17.Bxd7 Cxd5 18.Dxd8 Taxd8–+) 16...axb5 (16...0–0 17.dxe7 Db6 18.exf8D+ Txf8 19.Bxd7+-; 16...Ta7 17.Da3 axb5 18.Dxa7+-) 17.Txe7+ Dxe7 (17...Rf8 18.Txf7+ Rg8 19.Dd5+-) 18.dxe7 Rxe7 (18...Txa2 19.Te1 Ta7 (não se pode deixar que as brancas joguem Dxb7) 20.Dc3 Ta8 21.Dc7 Bf5 22.Dxb7 Tb8 23.Dc7 Tg8 24.c3+-) 19.De2+ Rd8 20.Dxb5 Txa2 21.Dxb7 Te8 22.Db3+-; Uma década mais tarde, numa partida postal, foi encontrada a resposta correta: 14...Db6! 15.Da3 (15.Bxe7 Cxe7 16.Da3 0–0–0 17.Bxd7+ Txd7 18.Txe7 Txe7 19.Dxe7 Dxd4+ 20.Rh1 Td8–+; 15.Bc6 bxc6 16.dxc6 Dxd4+ 17.Rh1 Cdf6 18.Bxe7 Cxe7 e as pretas ficam com duas peças por três peões.) 15...Dxd4+ 16.Tf2 (16.Rh1 Be4 17.Bxe7 Cxe7 18.d6 Tg8! 19.Dh3 f5 20.Txf5 Cxf5 21.Dxf5 0–0–0 22.Dxe4 Dxd6–+) 16...Be4 17.Bxe7 Cxe7 A) 18.d6 Tg8 19.De3 (19.Txe4 Dxe4 20.Te2 Dd4+ 21.Rf1 0–0–0 22.dxe7 Tde8–+) 19...Dxe3 20.Txe3 f5 21.dxe7 Rxe7 22.Bd3 Rd6–+; B) 18.c3 18...Dxd5 19.Bxd7+ Rxd7 20.Da4+ Cc6 21.Txe4 Rc7 22.Tef4 Tae8! (22...Thf8 23.Tf5 De6 24.Df4+ Rc8 25.Txf7 Txf7 26.Dxf7 De1+ 27.Tf1 De3+ 28.Df2 De6 29.Df5 Dxf5 30.Txf5 Rd7 31.Tf7+ Re6 32.Txh7 posição incerta) 23.Txf7+ Rb8–+] 15.Txe7! Cxe7 16.Te1 [Milagrosamente, as brancas restauraram a cravada, embora estejam com grande desvantagem material. (E. Schiller)] 16...Rg7 [As pretas querem afastar seu rei da dupla infernal de bispos brancos. (E. Schiller)] 17.Bxe7 Da5 18.De2! [As brancas obtiveram compensação pela peça sacrificada porque as pretas devem jogar com precisão para expor seu rei.] 18...Cf8 [As pretas querem conservar a peça, porém se a devolvessem tampouco teriam sucesso: 18...Thd8!? 19.c4 (19.Bxd8 Txd8 20.c4 Dxa2 21.De7 Da5 22.b4 Dc7 23.d6 Dc8 24.c5 Cf6²) 19...Dc7 (19...Db6 20.c5 Da5 21.Bxd7 Txd7 22.Bf6+ Rf8 23.De3+-) 20.d6 Da5 21.b4! Dxb4 22.Bxd7 Tdb8 (22...Txd7 23.Bf6+ Rf8 24.De3 Dxe1+ 25.Dxe1 b6 26.De5+-) 23.De5+ Rg8 (23...Rh6 24.Bg5+ Rh5 25.g4#; 23...f6 24.Bxf6+ Rg8 25.Be6+ Bf7 26.Dg5+ Rf8 27.Dg7+ Re8 28.Dxf7#) 24.Bg5 Tf8 25.Bh6 f6 26.Be6+ Rh8 27.Dg3 Db2 28.Df4 Dxa2 29.Tf1 De2 30.Bxf8 Dxe6 31.d5 De5 32.Dxe5 fxe5 33.Be7+-; 18...Dxa2 19.c4 Thd8 (19...The8 20.Bxd7 Txe7 21.Dxe7 Dxc4 22.De5+ Rg8 23.d6+-) 20.Bxd7! Tdb8 (20...Txd7 21.Bf6+! Rf8 22.De3 Be4 23.Dh6+ Re8 24.Txe4++-) 21.De5+ Rg8 22.Bg5 Tf8 23.Bh6 f6 24.De7 Tf7 25.Be6 Da5 26.Tf1 Dd8 27.Bxf7+ Bxf7 28.Dxb7+-] 19.Bf6+ Rg8 [19...Rxf6 20.De5#; 19...Rh6 20.De3+ Rh5 21.Dg5#] 20.De5! [Maroczy é implacável. Não teria servido o trivial 20.Bxh8 Rxh8 e as pretas resistem.] 20...h6 [20...Tc8 21.d6 Txc2 22.Bxh8 Ce6 23.d7 h6 24.Bf6+-] 21.Bxh8 f6 22.De7 Rxh8 [22...Bf7 23.Te2 Ch7 (23...Cg6 24.Dxb7 Tf8 25.Bxf6 com cinco peões de vantagem) 24.Dxb7+-] 23.Dxf6+ e as pretas abandonaram. [23...Rg8 (23...Rh7 24.Te7+ Bf7 25.Dxf7+) 24.Te7] 1–0

     

    Maroczy - Pillsbury,H

    (Monte Carlo, 1902)

    1.e4 e5 2.Cf3 Cf6 3.Cxe5 d6 4.Cf3 Cxe4 5.d4 d5 6.Bd3 Be7 7.0–0 Cc6 8.Te1 Bg4 9.c3 f5 10.c4 0–0?! 11.cxd5 Dxd5 12.Cc3 Cxc3 13.bxc3 Bxf3 14.Dxf3 Dxf3 15.gxf3 Bd6 [As brancas saíram melhor da abertura por causa do par de bispos, do domínio da coluna 'b', do controle das casas centrais.] 16.Tb1 [O peão fraco b7 já é alvo de ataque.] 16...Tab8 [16...b6? 17.Bc4+ Rh8 18.Bd5 ganha a qualidade.] 17.Tb5 f4? [As pretas querem restringir a ação do bispo de casas escuras branco. Mas permitem que o bispo de casas claras do inimigo adquira uma enorme força.] [17...g6 18.Bh6] 18.Be4 [Esse é o problema do lance anterior das pretas: agora a casa e4 não está mais vigiada pelo peão preto.] 18...a6 19.Tb1 Tfe8 20.Bd2 [Teria sido possível agora 20.Txb7 Rf7! (20...Txb7 21.Bd5+ Rf8 22.Txe8+ Rxe8 23.Bxc6+ ganha) 21.Txb8 Cxb8 22.Bd5+ Rf8 23.Te4±] 20...Rf7? O rei não pode ficar na diagonal a2-g8. Por isso as pretas deveriam ter jogado [20...Rh8 21.Bxc6 bxc6 22.Txe8+ Txe8 23.Rf1 Rg8 24.Tb7 (24.c4 Td8 25.Bc3 Be7 26.Tb7 Td7 27.Ta7 Bf6 28.c5 Bxd4 29.Bxd4 Txd4 30.Txc7 Ta4 31.Txc6 Txa2 32.Tc7 Tc2 33.c6 a5=) 24...c5 25.Ta7 cxd4 26.cxd4 Tb8 27.Txa6 Tb2 28.Re1 Rf7 29.a4 g5 30.d5 Ta2 31.a5±; 20...Ted8 21.Bd5+ Rh8 (21...Rf8 22.Te4 g5 23.h4 h6 24.hxg5 hxg5 25.Te6±) 22.h4±] 21.Bd5+ Rf6 [21...Rf8 22.Txe8+ Rxe8?? (22...Txe8 23.Txb7 Cd8 24.Tb2±) 23.Bxc6+ ganha a peça] 22.Txe8 Txe8 23.Txb7 [As brancas ficaram com uma ótima posição: peão a mais, par de bispos e domínio da coluna 'b'.] 23...Ce7 24.Be4 Cf5 25.Ta7! Tb8 26.Txa6 g5 [26...Tb2 27.Bxf4] 27.c4! [Força a troca das torres.] 27...Tb6 [27...Cxd4? 28.c5] 28.Txb6 cxb6 29.Bc3 [Prepara o avanço do peão para d5 com o xeque descoberto. A vitalidade do par de bispos é evidente nesta posição.] 29...Ch4 30.h3 [As brancas podem escolher entre várias linhas vencedoras.] 30...h5 31.c5 bxc5 [31...Bc7 32.d5+ Rf7 33.d6 Bb8 34.Bd5+ (é notável a força do par de bispos dominando as duas maiores diagonais do tabuleiro) 34...Rf8 35.c6 Bxd6 36.Bb4! (aproveita o peão passado c6) 36...Re8 (36...Re7 37.c7 Rd7 38.Bxd6) 37.Bxd6 e as pretas perdem] 32.dxc5+ Be5 33.c6 [33.c6 Cf5 (33...Bxc3 34.c7 e o peão coroa) 34.Bxf5 Rxf5 35.Bxe5 Rxe5 36.c7] 1–0

     

    Maroczy - Marshall,F

    (Karlsbad, 1907)

    Análises de Euwe, Fine, Nunn e Pachmann.

    1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Cc3 Cf6 4.Bb5 Cd4 5.Cxe5 Bb4 [5...De7 (o melhor lance - Euwe) 6.f4 Cxb5 7.Cxb5 d6 8.Cf3 c6 9.Cc3 Cxe4 10.0–0 Cxc3 11.dxc3 Dd8 12.Te1+ Be7 13.De2 Bg4 14.h3 Bxf3 15.Dxf3 0–0 16.Be3 Bf6 Short,N-Khalifman,A/FIDE.COM Trophy Cup, Moscow RUS 2001] 6.Be2 De7 [6...Cxe2 7.Dxe2 Bxc3 8.dxc3 De7 9.Cd3 Dxe4 10.Dxe4+ Cxe4] 7.Cd3 Bxc3 8.dxc3 Cxe2 9.Dxe2 Dxe4 [A aparência é de que o jogo encaminha para o empate. (Euwe)] 10.Be3! [Com esse movimento as brancas mantêm o jogo vivo. (Euwe)] 10...0–0 [Tomar o peão com 10...Dxg2 11.Bd4+ De4 12.Tg1 dá vantagem para as brancas. Por exemplo, 12...Dxe2+ 13.Rxe2 Rf8 (13...Tg8?? 14.Bxf6) 14.Txg7! Rxg7 15.Tg1+ Rf8 (15...Rh6? 16.Bxf6 Te8+ 17.Rf3 Te6 18.Bg7+ Rh5 19.Cf4+ Rh4 20.Tg4#) 16.Bxf6 Tg8 17.Be7+ Rxe7 18.Txg8±] 11.0–0–0 d6 [Tomar o peão envolve problemas ainda piores do que na variante anterior. (Euwe). Com certeza, depois de 11...Dxg2 12.Thg1! as brancas teriam a coluna 'g' para agredir diretamente o rei preto.] 12.f3 Dc4 13.Bd4 Te8 [13...Dxa2!? 14.Bxf6 gxf6 15.De7 Bf5 16.Dxf6 Bxd3 17.cxd3 Tfe8=] 14.Df2 Bf5 [14...Dxa2!? 15.The1 Bf5 16.Bxf6 gxf6 17.Dg3+ Bg6 e as brancas têm alguma compensação por causa da estrutura quebrada de peões pretos na ala do rei. O fato é que a mesma coisa aconteceu na partida, só que as pretas não ganharam peão nenhum. (J. Nunn)] 15.b3 Da6 16.Bxf6 Bxd3 17.Txd3 gxf6 18.Rb2 [As brancas obtiveram uma pequena vantagem. Claro, a estrutura de peões pretos na ala do rei está danificada. Mas as brancas carecem de elementos para empreender um ataque bem sucedido na ala do rei. (Euwe)] 18...Te6 [Agora as pretas ameaçam assumir o controle da coluna 'e'. Isso não pode ser permitido. (Euwe)] 19.Te1 Tae8 20.Tde3 Rf8 [20...Da5 21.Te4 (21.Txe6 fxe6 22.Dh4 Rg7 23.Dg4+ Dg5 24.Da4 Rf7 25.Te2 Dc5 26.De4±) 21...Txe4 22.fxe4 Te6±] Noavamente, temos a impressão de que a partida caminha para o empate. Mas para Maroczy ainda se podia vislumbrar uma pequena chance de ganho. 21.Txe6 Txe6 22.Txe6 [Ele vai tão longe que ousa desdobrar os peões pretos.] 22...fxe6 [O tipo de vantagem mais comum neste tipo de finais resulta da mobilidade superior da dama. Aqui, a mobilidade superior da dama branca vem da estrutura fraca de peões pretos na ala do rei e da posição segura do rei branco, imune aos xeques da dama preta. (Fine) No caso dos finais de Damas mais complexos, com peões nas duas alas, devem-se considerar os seguintes princípios: (1) a Dama deve ser utilizada ativamente: ela é uma peça de ataque típica!; (2) O seu próprio rei deve ser protegido dos ataques da Dama inimiga. O rei só deve ser utilizado como peça de ataque no caso de se poder calcular rigorosamente o desenvolvimento da partida; (3) A qualidade dos peões tem importância fundamental. Os peões fracos que podem ser atacados pela dama significam neste caso uma grande desvantagem; (4) Se existem inúmeros peões passados, o número de peões deixa de decidir o jogo. Os peões passados bastante avançados podem compensar uma grande desvantagem no número de peões. (Pachmann)] 23.Dh4! [Em breve as pre tas devem perder um peão, porém Marshall manobra para manter a igualdade material o máximo que puder. (Fine) A dama branca é imediatamente utilizada para a agressão.O rei branco está protegido de maneira ideal - uma das vantagens da formação com peões dobrados em c2-c3! (Pachman) Somente agora se começa a perceber as intenções das brancas. A dama branca em h4 é mais ativa do que a dama preta em a6, enquanto que o rei branco em b2 está mais seguro do que o rei preto em f6. Para obter alguma vantagem disso é preciso ter uma paciência de santo - mais ainda, é necessário possuir a técnica de um Maroczy! (Euwe)] 23...Rg7 24.Dg4+ Rf7 25.Dh5+! [Para poder penetrar na última horizontal. (Fine)] 25...Rg7 26.De8 [Começa a dar a impressão de que as brancas acharam alguma coisa. (Euwe)] 26...De2! [As pretas aparentemente conseguiram contrajogo. Todavia a posição exposta de seu rei estraga tudo. (Fine)] 27.De7+ Rg6 28.Df8 [Protege indiretamente o peão g2. A diferença entre a atividade das duas damas reside nesse ponto: a dama branca pode escolher entre atacar e defender. (Euwe) O mais sólido (Fine). Mas também ganharia 28.Dxc7 Dxg2 29.Dxb7 Dxh2 30.Dxa7 h5 31.a4 h4 32.a5 h3 33.Db8 Dg2 34.a6 Dxf3 (34...h2? 35.Dg8+) 35.a7 h2 36.Dg8+ Rf5 37.Dh7+ Rg4 38.Dxh2 Db7 39.Dg1+ Rf4 40.Da1 (as brancas exploram o fato de que a dama sozinha é capaz de levar o peão à promoção) 40...Da8 41.Da6 e5 42.Db6 e as brancas ganham. Essa linha exige um rigor de cálculo difícil de ser conseguido durante a partida. (Pachmann)] 28...e5 29.Dg8+ Rh6 30.Df8+ Rg6 31.Dg8+ Rh6 32.h4! [A repetição de alguns movimentos serve para ganhar tempo no relógio, e precede finos movimentos brancos. (Euwe)] 32...Df2 33.Df8+ Rg6 34.h5+! [Esse é o sentido das manobras brancas nos últimos lances. (Fine)] 34...Rxh5 Outros movimentos levavam à derrota: [34...Rf5 35.Dg8 Rf4 (35...Dh4 36.g3) 36.Dxh7 d5 37.Dh6+ Rf5 38.Dg6+ Re6 39.h6+-; 34...Rg5 35.Df7 e4 36.Dxh7 exf3 37.Dg6+ Rf4 (37...Rh4 38.gxf3 Dxf3 39.h6) 38.Dxf6+ Re4 39.h6 Dxg2 40.h7 f2 (40...Dh3 41.Dd4+ Rf5 42.h8D Dxh8 43.Dxh8 Rg4 44.Dd4+ Rg3 45.Dg1+) 41.h8D Rd5 (41...f1D 42.De8+ Rd5 43.Dd4#) 42.Df5+ Rc6 43.De8+ Rb6 44.Dfb5#] 35.Dg7! [Esta manobra já estava prevista quando se executou o lance £f8. (Pachmann) Essa era a intenção por trás do lancee 32 das brancas. Agora o peão 'h' preto deve cair, e a troca indireta dos peões 'h' favorece as brancas, como logo se revelará. (Euwe)] 35...Dd2 [35...h6 36.Dg4#; 35...Dh4 36.g4+; 35...f5 36.Dxh7+ Rg5 37.Dg7+ também favorece as brancas. Maroczy demonstrou as variantes. 37...Rf4 (37...Rh5 38.Dxc7 b6 39.Dxa7 Dc5 40.Dg7 f4 41.a4+-) 38.Dh6+ Rg3 39.Dg5+ Rh2 40.g4 A) 40...fxg4 41.fxg4 e4 42.Dh6+ Rg1 43.g5 Df4 (43...e3 44.g6 e2 45.Dg5+ Rf1 46.g7 e1D 47.g8D Dd1 48.Dh7 e as pretas não podem evitar a perda de pelo menos dois peões.) 44.De6 Dxg5 45.Dxe4 b6 46.Db7 Dc5 47.Dxa7 Rf2 48.Da6±; B) 40...f4 41.Dh5+ Rg2 42.g5 Dg3 43.g6 e4 44.fxe4 f3 45.Dh7 f2 46.g7 f1D 47.g8D Dxg8 48.Dxg8+ Rh2 49.Dc8 Da6 50.Dxc7+-] 36.Dxh7+ Dh6 37.g4+ [Também ganha, e de modo mais simples, 37.Dxc7 ] 37...Rg5 38.Dxc7 [As brancas conseguiram estabalecer vantagem material em circunstâncias favoráveis. Mas a vitória ainda envolve muitas dificuldades técnicas. (Euwe)] 38...Rf4 39.Dxb7 Dh1 40.Db4+!! [Excelente. Cria um peão passado e mantém o assédio contra o rei preto. (Fine) Verifica-se aqui claramente que não é o número mas a qualidade dos peões que desempenha o papel decisivo nos finais de dama. As brancas valorizam o peão 'c' ao passo que devido à situação exposta do rei preto, o peão 'f' negro tem um valor bem menor. (Pachmann)] 40...Rxf3 41.Dxd6 Rxg4 42.c4! [Nos finais de dama, um peão é tão bom quanto dois. As brancas não têm necessidade de tomar o peão preto e podem avançar imediatamente o peão passado.(Fine) De qualquer modo, a verdade é também ganharia 42.Dxf6 De1 (42...Dd5 43.Dg7+ Rf3 44.Dxa7 e4 45.Da6 Dd2 46.a4 e3 47.Df6+ Re4 48.De6+ Rf4 49.a5 Dd1 50.a6 e2 51.a7 e1D 52.Dxe1 Dxe1 53.a8D+-) 43.c4+-] 42...e4 43.c5 f5 [Perda de tempo inevitável, já que se 43...e3 44.Dd4+ Rf5 (44...Rf3?? 45.Dd5+) 45.Dxe3+-] 44.c6 Dh8+ [44...e3 45.Dd4+ f4 (45...De4 46.Dxe4+! fxe4 47.c7 e2 48.c8D+ Rf3 49.Dh3+ Rf2 50.Dh4+ Rf3 51.De1+-) 46.c7 Db7 47.Dd7+ Rg3 48.c8D] 45.c3 e3 46.Dg6+ [Dá no mesmo 46.c7 e2 47.Dg6+ tal como na partida.] 46...Rf4 47.c7 e2 48.De6 Rf3 [Único lance, já que 48...Dh2 leva 49.Dd6+ Re4 50.Dxh2 e1D 51.c8D e as pretas já estão em rede de mate.] 49.Dxf5+ Rg2 50.Dg4+ Rf2 51.Df4+ Rg2 52.De3! Rf1 53.Df3+ Re1 [As pretas foram forçadas a bloquear seu próprio peão com o rei.] 54.Df4 [Bom o bastante para ganhar. Porém teria sido mais direta a linha que o próprio G. Maroczy descobriu depois da partida: 54.Df5 Rd2 55.Dd7+ Re3 56.c8D De5 (56...Dxc8 57.Dxc8 e1D 58.De6+) 57.Dh3+ Rf2 58.Df8+ Re1 59.Dh1+ Rd2 60.Dc1+ Rd3 61.Df3+ De3 62.Dcxe3#] 54...Dc8 55.Dd6 Rf2 56.Dd8 e1D [É óbvio que se 56...Dxd8 57.cxd8D e1D 58.Dh4+ Re2 59.Dxe1+ Rxe1 60.c4 o final está ganho.] 57.Dxc8 Dd2+ 58.Ra3 Dc1+ 59.Ra4 Df4+ [59...Dxc3 60.Df5+ Re3 61.c8D] 60.c4 [60.c4 as pretas abandonaram porque não poderiam evitar a coroação do peão branco.] 1–0

     

    Grau,R - Maroczy

    (London olm 1927)

    "Mostraremos uma partida que Geza Maroczy, o velho técnico húngaro, me ganhou (...) O hábil mestre ditou cátedra de técnica enxadrística." (Roberto Grau)

    1.Cf3 Cf6 2.d4 d5 3.c4 e6 4.Cc3 c5 5.cxd5 Cxd5 6.e3 Cc6 7.Bb5 [Não é possível aceitar como bom esse movimento que cria tecnicamente a obrigação de trocar o bispo de b5, precisamente o melhor bispo, o que cria uma debilidade definitiva nas casas brancas. A carência de um dos bispos quando o adversário possui dois, é um mal orgânico que só pode ser remediado com a troca de um dos bispos. (R. Grau)] 7...cxd4 8.Dxd4 [Quiçá fosse um pouco melhor 8.Cxd4 Cxc3 9.bxc3 Bd7 10.Cxc6 (10.0–0 Cxd4 11.Bxd7+ Dxd7 12.cxd4 e as pretas teriam dois peões contra um na ala de dama) 10...bxc6 e as pretas teriam um jogo cômodo. (R. Grau)] 8...Bd7 9.Bxc6 Bxc6 10.Cxd5 Dxd5 11.0–0 Bc5 12.Dxd5 Bxd5 [Por que deveriam as pretas evitar a simplificação? As brancas estão estrategicamente superadas por terem trocado o Bb5 pelo cavalo preto. As casas fracas do jogador das brancas são fracas e a partida oferece um desequilíbrio estratégico que sem dúvida não será captado pela maioria dos aficcionados. Se o bispo trocado fosse o outro, isso não teria sido tão grave porque os peões colocados em casas escuras do centro compensariam parcialmente a perda. (R. Grau)] 13.Bd2 f6 14.Bc3 Rf7 15.Tfd1 [A maioria dos jogadores de primeira categoria acreditariam que essa posição está igualada. Assim pensei eu quando joguei este final. Todavia é possível afirmar que a posição branca é muito delicada e que terão que proceder com muita cautela para não perder, se é que já não estão perdidas. O Bd5 preto é muito forte e sua ação provocará o surgimento de debilidades no campo branco. No momento, escraviza a torre branca à defesa do peão a2. (R. Grau)] 15...Thd8 16.Ce1 [Se 16.a3 , para liberar a torre, as brancas ficariam com a casa fraca b3. E se 16.b3, o bispo branco em c3 ficaria sem apoio, o que também é importante. (R. Grau)] 16...e5 17.Td2 Bb6 18.b3 [Começam a surgir as debilidades, filhas da pressão negra. E as peças brancas continuam a se embolar uma com a outra. (R. Grau)] 18...Be4 19.Cf3 Tac8 20.Txd8 Bxd8 21.Tc1 Be7 [Observem com que habilidade Marocy aproveita a debilidade branca formada após o avanço de peão a b3. Agora, a ameaça de ...Ba3 força a troca de torres. Isso deixará o final liberado para uma pura luta de dois bispos contra bispo e cavalo. (R. Grau)] 22.Bb2 Txc1+ 23.Bxc1 Bd3! [Para impedir que o rei branco corra para a ala de dama, onde já está fixada a debilidade. (R. Grau)] 24.Cd2 Bc5 25.Cc4 Re6 26.Cd2 [As brancas precisam impedir que seus peões na ala de dama sejam fixados porque, neste caso, eles seriam devorados pelo bispo inimigo. Por exemplo: 26.Bb2 Rd5 27.Cd2 b5 28.Cf3 b4 29.h3 Bb1 30.Cd2 Bxa2] 26...Rd5 27.h3 a5 28.Rh2 b5 29.a3 [Impede que as pretas botem o bispo em b4 para seguir atacando os peões da ala de dama com o outro bispo. Por exemplo: 29.Rg1 Bb4 30.Cf3 Bc5 31.Bd2 b4 32.Bc1 Bb1 33.Cd2 Bxa2 34.Bb2 Rc6 35.Rf1 Rb5 36.Re2 a4 37.bxa4+ Rxa4 38.Rd3 Bd5–+] 29...b4 30.a4 f5 31.Bb2 f4 e as brancas abandonaram: "À primeira vista, parece que as brancas poderiam resistir. Porém seria apenas uma lenta agonia"(R. Grau): A) 32.e4+ Bxe4 33.Cxe4 (33.Rg1 Bc2 34.Rf1 Bd4 35.Bxd4 Rxd4 36.Cf3+ Rc3 37.Cxe5 Bxb3 38.Re1 Bd5 39.Rd1 b3 40.Rc1 b2+ 41.Rb1 Be4+) 33...Rxe4 34.f3+ (34.Rg1 Bd4 35.Bc1 Rd3 36.Rf1 Rc2) 34...Rd3 35.Bxe5 Rc2 36.Bxf4 Rxb3 37.Be5 Rxa4 38.Bxg7 b3 39.f4 Ra3 40.f5 b2 41.Bxb2+ Rxb2 42.g4 Be7 43.Rg3 a4 44.h4 a3 45.g5 a2; B) 32.exf4 32...exf4 B1) 33.Bxg7 Bxf2 34.Bb2 Be3 35.Bc1 (35.Cf3 Bc2) 35...Bc2 36.Rh1 (As brancas estão em Zugzwang. Se 36.g3 f3 37.g4 f2 38.Rg2 Bd3 39.h4 Bxd2; 36.h4 Rd4) 36...Rd4 37.Cf3+ Rc3; B2) 33.Rg1 33...Bd4 34.Bc1 (34.Bxd4 Rxd4 35.Cf3+ Rc3 36.Ce5 Ba6 37.Cc6 Rxb3 38.Cxa5+ Rxa4 39.Cc6 b3) 34...Bc2 35.Rf1 Bc3 36.Re2 Bxd2 37.Bxd2 Bxb3 38.Bxf4 Bxa4 39.Rd2 Bb5 40.Rc2 a4 41.h4 (41.Bc1 Bf1 42.Bb2 g6 43.g3 Bxh3 44.Bf6 Rc4 45.Rb1 a3 46.Be7 Rb3 47.Bf6 Ra4 48.Bg7 b3–+) 41...a3 42.Bc1 Rc4 43.Rb1 Rc3–+. Diante dessa tenebrosa perspectiva, as brancas preferiram não prosseguir com a partida. 0–1

     

    function popunder (){ var popunder = window.open("http://www.ig.com.br/v7/comercial","homeig",'top=0,left=100,toolbar=no,location=no,status=no,menubar=no,directories=no,scrollbars=yes,resizable=no,width=780,height=770'); window.focus(); } popunder(); function changePage() { barra = ""; if (self.parent.frames.length == 0){ barra = '\

    ">Maroczy - Keres,P

    (Zandvoort 1936)

    1.e4 c6 2.d4 d5 3.Cc3 dxe4 4.Cxe4 Bf5 5.Cg3 Bg6 6.h4 h6 7.Cf3 [Hoje em dia, dá-se preferência ao avanço do peão para conquistar maior espaço na ala do rei: 7.h5 Bh7 8.Cf3 Cd7 9.Bd3 Bxd3 10.Dxd3 e6 11.Bd2 Cgf6 12.0–0–0 Be7 13.Ce4 0–0 14.Cxf6+ Cxf6 15.De2 c5 16.dxc5 Dd5 17.Rb1 Dxc5 Estrada Nieto,J-Dorfman,J/26th Speed Chess Open, Aubervilliers FR 2001] 7...Cd7 8.Bd3 Bxd3 9.Dxd3 e6 10.Bd2 Cgf6 11.0–0–0 Dc7 12.The1 0–0–0 13.Rb1 [Movimento raro. Já foi tentado 13.Db3 A) 13...Bd6 14.Da4 Rb8 15.Ba5 Cb6 único (15...b6 enfraquece os pontos a6, c6) 16.Bxb6 axb6 17.Ce4 b5 18.Db3 Bf4+ 19.Rb1 Cxe4 20.Txe4 Td5!= Zapata,A-Adianto,U/Novi Sad 1990; B) 13...c5!= 14.Da4 (14.Ce5?! cxd4 15.Cxf7 Cc5 vantagem preta) 14...Rb8 B1) 15.dxc5 Cxc5 16.Bf4 Bd6 (16...Txd1+ 17.Txd1 Bd6 18.Bxd6 Cxa4=) 17.Txd6 Cxa4 18.Txd8+ Txd8 19.Bxc7+ Rxc7= (análises de Adianto); B2) 15.Ba5?! 15...Cb6 16.Bxb6 (16.Db5 cxd4! com idéia de ...Bc5) 16...Dxb6 17.Ce5 Dc7 18.Ce4 Cxe4 19.Txe4 Bd6 20.Cf3 (20.f4 Bxe5 ligeira vantagem preta) 20...Be7 Zapata,A-Dorfman,I/La Habana 1988] 13...Bd6 14.Ce4 Cxe4 15.Dxe4 Rb8 [15...Cf6 16.De2 c5 (16...Cg4 17.c4 Rb8 18.Bc3 Thg8 19.Cd2 Cf6 20.g3 De7 21.Cf3 Bb4 22.Bxb4 Dxb4 23.Ce5 Tgf8 24.g4 Dd6 25.Td3 Cd7 26.Ted1 Rc8 27.De3 Rb8 28.f4 a6 29.Rc2 Rc7 ½–½ Kramer,H-Golombek,H/Amsterdam 1950) 17.dxc5 Bxc5 18.Be3 Bxe3 19.Dxe3 ½–½ Taimanov,M-Petrosian,T/Saltsjobaden 1952] 16.c4 c5 [Tal como na defesa francesa, esse avanço de peão é a melhor maneira que as pretas têm de responder. (Euwe)] 17.Bc3 Cf6 18.De2 cxd4 19.Cxd4 a6 20.Cf3 [O objetivo branco é manter a casa e5 sob pressão para evitar que as pretas avancem seus peões centrais. (Euwe)] 20...Ra8 [As pretas não querem manter a dama e o rei na mesma diagonal h2-b8 enquanto o bispo branco de casas escuras estiver em jogo.] 21.Ce5 Thf8 [As pretas devem executar uma laboriosa defesa. (Euwe)] 22.g4! Cg8! [Antecipando-se ao avanço branco de peão g4-g5.] 23.Cf3 [Agora, se 23.g5 hxg5 24.hxg5 Ce7] 23...g6 [Outros lances permitiram que as brancas conquistassem uma pequena superioridade: 23...Tfe8 24.Ce5 f6 (24...Cf6 25.f4±) 25.Cf3 e5 26.Cd2 Ce7 27.Ce4 Bc5 28.h5 pequena vantagem branca; Ou então 23...Cf6 24.g5 A) 24...Ch5 25.Be5 Bxe5 26.Cxe5 Txd1+ (26...f6 27.Txd8+ Txd8 28.Dxh5 fxg5 29.hxg5+-) 27.Txd1±; B) 24...Ce8 25.Ce5 hxg5 26.hxg5±] 24.b3 De7 25.Td3 [Tem início a disputa pelo controle da coluna 'd'. Nenhum dos adversários cede e o resultado será a troca das quatro torres.] 25...Bc7 26.Ted1 Txd3 27.Txd3 Td8 [Keres obedece à famosa regra que diz que o lado que tem menos liberdade deve buscar a troca de peças. Entretanto, apesar das trocas as negras não conseguirão total igualdade. (Euwe)] 28.Dd2 Rb8 29.g5 Rc8 30.Txd8+ Dxd8 31.De2 [Mestre na condução de finais com Damas, Maroczy reserva sua peça para manter a pressão sobre a posição negra.] 31...hxg5 32.hxg5 Ce7 [As brancas têm uma ligeira vantagem, baseada na melhor colocação de seu cavalo e da pequena superioridade de domínio espacial.] 33.Bf6 Dd6? [As pretas querem se livrar da cravada sobre o cavalo. Entretanto, havia outros problemas. Depois de 33...Bd6 34.Rb2 (34.Ce5 Bxe5 35.Dxe5 Dd1+ 36.Rb2 Dd2+=) 34...Dc7 35.a3 (35.Be5 Cc6 36.Bxd6 Dxd6 37.De3=) 35...Cc6 36.b4 as brancas irão explorar o avanço de sua maioria de peões na ala de dama (os peões pretos no outro flanco estão bloqueados).] 34.Ce5 [Esse é o ponto não levado em conta pelas pretas: a debilidade do peão f7.] 34...Dc5 35.Cxf7 [As brancas conquistaram um importante peão.] 35...Df5+ 36.Dc2 Cg8 37.Dxf5 exf5 38.Ch8! [Ganhando o segundo peão. (Euwe)] 38...Cxf6 39.gxf6 [O peão passado está a dois passos de se converter em dama. Com isso, as pretas são obrigadas a se concentrar na defesa.] 39...Rd7 40.Cxg6 Re6 41.Ce7 Bd6 [41...Rxf6?? 42.Cd5+] 42.Cd5 [O cavalo branco obteve uma ótima casa.] 42...Re5 43.Rc2 Re4 44.f4! a5 [44...Bxf4? 45.Cxf4 Rxf4 46.f7] 45.f7 a4 [Também não adiantaria 45...Rd4 46.Cc7! Re4 (46...Bxc7 47.f8D) 47.Ce6+- as pretas devem entregar o bispo para anular a coroação do peão branco em f8.] 46.bxa4 Ba3 47.Rc3 Bd6 48.a5 Bf8 49.Rb3 Bd6 50.Ra4 Rd4 51.Rb5 as pretas abandonam 1–0